Arquidiocese de Maceió | Igreja Missionária e Samaritana

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11/01/2018 12h18

Padre Augusto Jorge: "Tenho entrado literalmente em uma outra realidade"

Sacerdote fala, para o jornal O Semeador, de sua experiência no Pontifício Colégio Pio Brasileiro em Roma

Pe. Rodrigo Rios - Comunicação da Arquidiocese de Maceió

 Pe. Augusto Jorge, natural de Recife, mas alagoano de coração e incardinado na Arquidiocese de Maceió, com 41 anos idade e 10 de exercício ministerial, está atualmente em Roma fazendo seu Mestrado em Teologia Espiritual. Nesta entrevista o sacerdote fala um pouco sobre sua história e as novidades deste tempo, com todas as realidades de cultura e adequação a um novo ritmo de vida.

Qual a história do Padre Augusto com a Arquidiocese de Maceió e sua ida a Roma?
Cheguei a Maceió para conclusão do curso de teologia por volta de 2003. Fiquei no seminário estudando por dois anos e em seguida fui enviado em missão para a experiência pastoral. Fui ordenado diácono no dia 02 de agosto de 2005 pelas mãos de Dom José Carlos e meu Estágio diaconal foi realizado em Maragogi. Depois de ordenado sacerdote em 22 de fevereiro 2006, fui para a administração da Paróquia de Nossa Senhora da Glória em Porto de Pedras no mesmo ano. A Paróquia compreendia as cidades de São Miguel dos Milagres e Porto de Pedras. Na época foi para mim, recém-ordenado, um grande desafio, mas, com o passar dos dias, meses e anos, esta minha segunda missão se tornou uma grande escola onde aprendi ali tanto sobre a necessária criatividade para a evangelização, tanto mais ainda da sensibilidade no tocante a uma pastoral de conjunto e de Misericórdia para com os esquecidos.
Depois, por força da necessidade da Igreja local, fui reconduzido a assumir a administração da Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no Vergel do Lago, em Maceió, onde ali, a evangelização de modo pessoal me alcançou por um caminho que não imaginava: a Divina Misericórdia se manifestou de forma intensa de muito sentido e formas. Próxima à paróquia esteve o São João Paulo II. Eu assim pensava: um santo ali perto passou: é uma certeza que nos motivava sempre: Ele intercede por nós! O espaço onde ele permaneceu estava muito depreciado, desintegrado da sua real inspiração, ou seja, um lugar de fé e esperança. Ali o sucessor dos apóstolos esteve junto ao povo que Deus lhe confiou, então, por si, um lugar de peregrinação, de romaria. Assim, com a inspiração na festa da Misericórdia de 2012 o Arcebispo Metropolitano Dom Antônio Muniz Fernandes anunciava que aquele lugar voltaria a ser um lugar de fé e peregrinação. Seria um retorno à origem. Teria um nome específico: Santuário da Divina Misericórdia de Maceió. Com o passar dos meses e aos poucos, ele confiava a mim, indigno servo, a estar à frente dos cuidados necessários para o início da revitalização do espaço, onde como reitor, a cada primeiro domingo de cada mês, celebrávamos juntos com tantos irmãos e irmãs sedentos pela Divina Misericórdia, provenientes de quase todos os bairros de nossa amada Maceió. Ali iniciamos o projeto com as crianças chamado: Mãos Unidas, pois sabíamos que a oração e a Misericórdia não poderiam deixar de nos envolver. O trabalho atendia a mais de 50 crianças com suas respectivas famílias, no que podíamos e a providência nos socorria. Com isso, acumulei duas funções: administrador da Paróquia Perpétuo Socorro e Reitor do Santuário da Divina Misericórdia.
Após a revitalização do espaço do Santuário da Misericórdia e a estrutura da nova Igreja do Perpétuo Socorro, o arcebispo Dom Antônio me fez a proposta de um aprofundamento e uma especialização no campo da Teologia Espiritual. Em atitude de profunda obediência, na fé, aceitei e parti com prontidão, largando e deixando tudo, tudo o que penso ser, tudo o que imaginei que era a vontade de Deus a meu respeito... A vontade de Deus passará sempre pela voz de nossa autoridade.

Como tem sido esses primeiros meses em Roma?
Os primeiros meses têm sido de grandes desafios. Quem já fez na vida essa mesma experiência sabe o quanto custa deixar: família, nação, língua mãe, casa, os seus...os primeiros meses enfrentei esse desafio de forma muito acentuada. Mas saiba de uma coisa: Deus cuida e Deus sabe! E para quem de fato um dia entregou sua vida nas mãos de Deus o que restava? O que era preciso? O que era necessário? Unicamente obedecer.

Estás a residir no Pio Brasileiro. Como tem sido esse tempo de vivência em uma comunidade presbiteral?
Estar em uma comunidade presbiteral como a do Pio Brasileiro é bom pelo fato de estarmos conhecendo o rosto da Igreja do Brasil. São padres de todas as regiões de nossa nação e estarmos juntos na mesma casa gera um conforto e um espírito de fraternidade legal. Na verdade, venho descobrindo a alegria de viver minha missão sacerdotal em comunhão e até tenho partilhado sobre essa realidade, pensando como seria bom para uma diocese ter pequenas comunidades de vida sacerdotal.

Quais as suas impressões sobre o mestrado em Espiritualidade?
O Mestrado em Teologia Espiritual na Universidade Gregoriana de Roma tem sido uma surpresa de Deus muito bela. Primeiro por estar recebendo uma grande formação permanente em minha vida pessoal enquanto sacerdote diocesano. Depois, o mestrado que estou iniciando na grande universidade de Santo Inácio de Loyola tem um grande e acentuado foco na Formação de Novos Consagrados, tanto para vida Sacerdotal como para a Vida Consagrada em vários âmbitos e dimensões.

Tens se identificado com a proposta do curso?
Sim, tenho me identificado com o curso. Ele tem me aberto um amplo horizonte para um grande campo pastoral diante da vida espiritual. Tal curso não se faz sem se abrir à proposta que ele nos faz. Um mestre espiritual será sempre alguém envolvido com a vida espiritual e não somente com a teoria.

Quais os campos de atuação para quem faz esse mestrado?
Diretor espiritual, reitor e formador de seminários, pregador de retiros espirituais, entre outros.

E sobre a vivência próxima ao Papa? Como tem sido essa experiência?
Estar em Roma é andar sobre a história do cristianismo todos os dias. Morar e estudar junto ao sucessor dos apóstolos, o Papa Francisco, tem sido uma experiência única. Recordo-me de quando fomos recebidos, pelo Santo Padre em outubro passado em uma audiência privada. Quanta alegria!

Quais tem sido as dificuldades neste tempo? Como as tem gerenciado?
As minhas dificuldades nesse tempo ainda continuam sendo o falar fluente a língua italiana e a outra é, após 14 anos longe do ambiente universitário, retornar. Não tem sido fácil, mas como gosto de desafios, estou gerenciando com o retorno do rigor do horário para tudo. Tenho entrado literalmente em uma outra realidade. Somente com um olhar espiritual sobre o que nos acontece podemos gerenciar e viver o agora de Deus.

 

 

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